Depois do trabalho, o merecido descanso.
Passamos os três primeiros dias de outubro deste ano de 2038 em Schiermonnikoog (lê-se algo como “isrrimanicôl”). A pequena ilha no norte da Holanda é um dos destinos de férias e feriados preferidos do pessoal daqui. A complicadíssima palavra quer dizer “a ilha dos monges de cinza” e não é difícil entender a razão. Durante a Reforma da igreja católica, os monastérios no norte da Holanda foram expropriados e uma ordem monástica então estabeleceu-se naquela gelada e inóspita ilha, no Mar do Norte. Durante estes dias passeamos por toda a ilha, descobrindo (ou redescobrindo, no caso de Caspar e Trinette) os segredos locais. Andamos mais de um quilômetro no leito do mar, até que pudéssemos tocar as geladas águas salgadas; escalamos dunas cobertas de vegetação, pois esterco dos animais é espalhado por cima dos montes de areia e o vento traz as sementes que acabam por transformar estas dunas em montanhas-anãs. O local abriga dois bunkers, cuja função era proteger a população local dos bombardeios, na segunda grande guerra. Mas certamente, o momento de maior emoção foi andar por uma trilha até um bem protegido refúgio, que abriga um pequeno cemitério, que guarda os despojos de cento e doze pessoas: o criador do cemitério e seu irmão são os dois únicos civis. Os demais, soldados alemães, holandeses, canadenses, ingleses, franceses. Na tumba dos franceses lê-se: “morto pela França”, enquanto a mortalidade destroçada e irreconhecível de um jovem soldado inglês encontra a paz na frase “conhecido, junto a Deus”. A entrada do cemitério apresenta um poema em frísio e nos faz chegar lágrimas aos olhos quando ouvimos a gentil tradução que termina assim: “mesmo que não reconheças esta terra, não tenha medo. Aqui você está seguro”. Vredehof, o lugar de paz.



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