Trinta de setembro de 2038. Pela janela do trem podemos observar a sorte que temos. Comecei a lembrar do pavor que tínhamos da guerra fria e da real possibilidade de um maluco qualquer apertar o botão e acabar com o planeta, em uma imensa explosão nuclear. Passamos esta fase, entre os anos 1960 e meados de 1980, absolutamente terrificados com esta idéia e, de repente, a história da humanidade dá uma guinada. Acaba a União Soviética, o muro de Berlim vai ao chão e nunca mais pensamos na bomba atômica. E foi quase a mesma coisa com as mudanças climáticas. No início deste milênio estávamos apavorados com tsunamis, ondas inusitadas de calor e frio, fim de espécies animais e vegetais. Estávamos realmente apavorados com o fim do mundo. Talvez, em nossos inconscientes, sentimos vividamente nossa impotência perante a Natureza e aprendemos a respeitá-la. Foram anos difíceis aqueles. Muita polêmica relacionada a aquecimento global antrópico ou natural; aumento inexorável do nível dos oceanos; derretimento das geleiras. E mais uma vez a Natureza nos surpreendeu, com sua capacidade de ajuste e harmonia. Evidente que nossa conscientização e respeito pela vida desempenharam um papel fundamental, mas finalmente aprendemos a viver com a Natureza e não dela.


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