quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A ecossustentabilidade aplicada às pequenas e médias empresas


Quem fala em ecossustentabilidade no Brasil? Bom, bem poucos.  Mas fala-se muito em sustentabilidade.  Partindo do princípio que sustentável é tudo aquilo que tem a capacidade de se manter, quando intentamos referirmo-nos a ações relacionadas à melhoria da qualidade de vida e meio-ambiente; ou seja, à prática do ecologicamente correto, estamos falando em ecossustentabilidade.  É fato que a ecossustentabilidade hoje é um fortíssimo instrumento de comunicação utilizado por grandes corporações.  Mas a grande força do Brasil são as pequenas e médias empresas.  E quais seriam as vantagens com a implementação destas tão novas medidas deste tão novo mercado?  Inúmeras.
Para começar, há que entender os processos de neutralização de emissões negativas, com ou sem projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ou voluntários, como duas ferramentas de suma importância: de marketing e de comunicação.
Quando uma indústria implementa um plano de redução ou mitigação de emissões negativas, sejam estas poluição ou GEE (gases de efeito-estufa), através de ações eficazes, com plano de monitoramento adequado, com coleta e apresentação de evidências objetivas de fácil entendimento e comprovação, ela está comunicando a seu consumidor final sua preocupação com a qualidade de vida do planeta e o consumidor vai pensar que se a companhia tem este tipo de preocupação, certamente faz um produto de excelente qualidade, é confiável e merece sua adesão e fidelidade.  Por outro lado, a própria implementação da ecossustentabilidade trará uma revisão de todo o processo produtivo, com ajustes finos relacionados a perdas de energia, reaproveitamento de águas, mudanças de combustíveis, etc.  Somente neste pente fino, já se conta com reduções de até 30% no consumo específico (quantidade de combustível que se utiliza para geração de determinada quantidade do que se produz) e isso é economia direta.
Quando assistimos às nem sempre corretas, mas constantemente milionárias campanhas das grandes companhias, relacionadas a ecossustentabilidade temos a impressão que o tema é alcançável apenas a uma privilegiada categoria.  Isso não é verdade.  Projetos pequenos, projetos inovadores, podem trazer resultados incríveis e muitas vezes, com investimentos mínimos.  O importante é ter em mente que nesta nova economia, neste mercado verde, nada está escrito em pedra.  Somos todos aprendizes e podemos fazer a diferença.  Vale lembrar que educação e bom-senso constituem a base de uma pessoa comprometida com o meio ambiente.  E é exatamente por aí que começam as ações que podem mudar a vida do Planeta para melhor.  Não jogue lixo pela janela do carro (nem bituca de cigarro). Se puder ir a pé, deixe o carro em casa.  Mostre a delicadeza de uma flor; a exuberância de uma árvore, a singeleza de um esquilo para uma criança.  Permita-se a perplexidade ao saber que a Natureza não produz lixo. Cobre dos políticos a solução dos enormes passivos ambientais da cidade, pois apenas quatro por cento do lixo reciclado em casa têm destino correto.  Insira-se na Natureza e entenda-se parte dela.  A partir daí, pense em fazer o mesmo com sua empresa.

Patrizia Tomasi

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Díario de Viagem - Bonn, Alemanha - UNFCCC Conferência-Quadro de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas 1-2-3/10/2011

Depois do trabalho, o merecido descanso.





 











































Passamos os três primeiros dias de outubro deste ano de 2038 em Schiermonnikoog (lê-se algo como “isrrimanicôl”).  A pequena ilha no norte da Holanda é um dos destinos de férias e feriados preferidos do pessoal daqui.  A complicadíssima palavra quer dizer “a ilha dos monges de cinza” e não é difícil entender a razão.  Durante a Reforma da igreja católica, os monastérios no norte da Holanda foram expropriados e uma ordem monástica então estabeleceu-se naquela gelada e inóspita ilha, no Mar do Norte.  Durante estes dias passeamos por toda a ilha, descobrindo (ou redescobrindo, no caso de Caspar e Trinette) os segredos locais.  Andamos mais de um quilômetro no leito do mar, até que pudéssemos tocar as geladas águas salgadas; escalamos dunas cobertas de vegetação, pois esterco dos animais é espalhado por cima dos montes de areia e o vento traz as sementes que acabam por transformar estas dunas em montanhas-anãs.  O local abriga dois bunkers, cuja função era proteger a população local dos bombardeios, na segunda grande guerra.  Mas certamente, o momento de maior emoção foi andar por uma trilha até um bem protegido refúgio, que abriga um pequeno cemitério, que guarda os despojos de cento e doze pessoas: o criador do cemitério e seu irmão são os dois únicos civis.  Os demais, soldados alemães, holandeses, canadenses, ingleses, franceses.  Na tumba dos franceses lê-se: “morto pela França”, enquanto a mortalidade destroçada e irreconhecível de um jovem soldado inglês encontra a paz na frase “conhecido, junto a Deus”.  A entrada do cemitério apresenta um poema em frísio e nos faz chegar lágrimas aos olhos quando ouvimos a gentil tradução que termina assim: “mesmo que não reconheças esta terra, não tenha medo. Aqui você está seguro”.  Vredehof, o lugar de paz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Díario de Viagem - Bonn, Alemanha - UNFCCC Conferência-Quadro de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas 30/09/11

Trinta de setembro de 2038.  Pela janela do trem podemos observar a sorte que temos.  Comecei a lembrar do pavor que tínhamos da guerra fria e da real possibilidade de um maluco qualquer apertar o botão e acabar com o planeta, em uma imensa explosão nuclear.  Passamos esta fase, entre os anos 1960 e meados de 1980, absolutamente terrificados com esta idéia e, de repente, a história da humanidade dá uma guinada.  Acaba a União Soviética, o muro de Berlim vai ao chão e nunca mais pensamos na bomba atômica.  E foi quase a mesma coisa com as mudanças climáticas.  No início deste milênio estávamos apavorados com tsunamis, ondas inusitadas de calor e frio, fim de espécies animais e vegetais.  Estávamos realmente apavorados com o fim do mundo.  Talvez, em nossos inconscientes, sentimos vividamente nossa impotência perante a Natureza e aprendemos a respeitá-la.  Foram anos difíceis aqueles.  Muita polêmica relacionada a aquecimento global antrópico ou natural; aumento inexorável do nível dos oceanos; derretimento das geleiras.  E mais uma vez a Natureza nos surpreendeu, com sua capacidade de ajuste e harmonia.  Evidente que nossa conscientização e respeito pela vida desempenharam um papel fundamental, mas finalmente aprendemos a viver com a Natureza e não dela.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Díario de Viagem - Bonn, Alemanha - UNFCCC Conferência-Quadro de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas

Vinte e nove de setembro de 2038. Hoje foi um dia bem especial para a Planck E. Há exatamente vinte e sete anos estávamos na sede da ONU em Bonn, que fica na Martin Luther King, 8- Haus Carstanjen, para apresentar a idéia de contextualização do processo de trabalho dos times de experts em Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. 

Na ocasião estávamos tão tensos que mal observamos a beleza tranqüila do parque, com suas imensas castanheiras, patos, amendoeiras e centenas de metros de verde, que convidam a um piquenique ou a um simples sentar-se à sombra de uma árvore e apreciar a Natureza.

Naquele dia, tínhamos uma missão a cumprir e não foi fácil. Estávamos tão acostumados ao pensamento aristotélico, linear e especializado que ao final de nossas análises tínhamos um enorme volume de dados e não sabíamos o que fazer com ele. Hoje parece brincadeira de criança, mas o pensamento contextualizado e totalizador foi mostrado por nós, naquela reunião que se perde no tempo, mas que nos marcou tanto que parece ter ocorrido ontem!